Estado regride na cura dos novos casos de tuberculose
26/06/2017 - 23:33
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Principal causa de morte entre os portadores de HIV/Aids, a tuberculose não alcançou a meta de cura estabelecida pelo Ministério da Saúde entre os novos casos em Mato Grosso, que era de 75%. De acordo com o Relatório Anual de Gestão (RAG) 2016, elaborado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o índice na verdade caiu de 76% para 67%. A meta de cura para a tuberculose pulmonar de 70% também não foi atingida, ficando na casa dos 63%.

Relatório da SES mostra que na verdade o indice de cura caiu em MT de 76% para 67%
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que quase 10 mil pessoas têm Aids e duas mil estão infectadas pelo vírus HIV no Estado. A baixa adesão dos pacientes ao tratamento, não implementação de práticas ampliadas nas unidades de saúde e reduzida referência hospitalar para tratamento estão entre os principais desafios a serem enfrentados.

Segundo o documento, a proporção de cura de casos novos de tuberculose calculada para 2016 confirmou os obstáculos que o Sistema Único de Saúde (SUS) estadual enfrentou no ano para alcançar as metas. A análise da série histórica mostrou que os índices alcançados contrariam o objetivo proposto, pois em 2010, o Estado consegui superar o percentual de 76% de cura dos casos novos, porém nos anos seguintes houve redução desta proporção, a exemplo do ano passado.

Outros desafios apontados pelo RAG, para não se chegar às metas estipuladas é a desarticulação das ações realizadas associadas à indefinição dos processos de trabalho relativos à vigilância e à atenção em saúde. As dificuldades para a implementação das ações planejadas acrescidas da reduzida visão sistêmica dos profissionais em relação à linha de cuidado também são fatores apontados como obstáculos no tratamento.

Em se tratando da baixa adesão ao tratamento, a população indígena e pessoas privadas de liberdade estão entre os principais pacientes.

Principal causa de mortes

Conforme o relatório, a tuberculose continua sendo a principal causa de morte entre os portadores de HIV. Fator apontado como responsável por este resultado estava relacionado ao supor insuficiente do Laboratório Central (Lacen), quanto ao apoio técnico aos laboratórios municipais como capacitações, contrapartida de insumos laboratoriais e no controle de qualidade das baciloscopias.

A infectologista Kadja Samara Sousa explica que a tuberculose é uma doença antiga que chegou a ser diagnosticada até em múmias. Segundo ela, esta é uma infecção que, embora curável, ainda aflige a humanidade e com o surgimento do HIV houve um expressivo aumento dos casos. “Isso se deve ao fato de as pessoas infectadas pelo HIV têm quase 30 vezes mais chance de adoecer com tuberculose do que as pessoas sem o vírus”.

Segundo a especialista, de 10% a 12% das pessoas doentes com tuberculose são também infectadas pelo HIV. “Na verdade, o diagnóstico da patologia infecto-contagiosa é o que leva a pessoa a ser testada para o HIV, já que todas as pessoas em tratamento da doença devem realizar o teste para verificar a presença do vírus, independentemente da idade ou sexo”.

Resistência ao tratamento

Especialista alerta que muitos pacientes não tratam a doança achando que é gripe ou virose
Em se tratando do diagnóstico da tuberculose, Kadja diz que ainda é um enigma para a sociedade de forma geral. Ela explica que os casos mais comuns são os de tuberculose pulmonar, que têm como sintomas tosses prolongadas, febre, falta de apetite e, consequentemente, perda de peso. “Muitas vezes o paciente acha que se tratada de uma gripe ou virose e não procura um especialista. Quando finalmente há um diagnóstico, o caso já pode estar em estágio avançado”.

Sobre o não alcance das metas estipuladas de cura, a especialista ressalta que isso se deve, na maioria dos casos, a não conclusão do tratamento. Muitos, após dois meses de tratamento, se sentem melhor e pensam estar curados, mas esquecem que na verdade a duração deste tratamento é, de no mínimo, seis meses. “Também têm as situações em que os pacientes não suportam as reações como náuseas, vômitos, mal estar e acabam desistindo”.

Nestes casos, Kadja destaca a importância da existência de uma equipe multidisciplinar, composta não apenas do infectologista, mas de outros profissionais como enfermeiro e psicólogo. Este último, trabalha com os sentimentos do paciente e o estimula a concluir o tratamento. “Parece que não, mas os psicólogos são fundamentais no tratamento de um tuberculoso. Todos devem atuar de forma integrada visando o bem estar e cura do paciente”.

Questionada se a estrutura, medicamentos e profissionais disponibilizados pelo Estado para o tratamento são suficientes para atender a demanda local, Kadja afirma que sim. “Tuberculose é uma doença grave e os governos Federal e Estadual reconhecem isso. Atuo no SUS e posso afirmar que estamos preparados para realizar o atendimento necessário”. Em Mato Grosso, o Hospital Universitário Júlio Müller é referência no tratamento de pessoas com tuberculose.

Medicamentos

A infectologista explica que os medicamentos de tratamento da tuberculose são restritos à rede pública de saúde, por isso, é imprescindível que a distribuição destes, que é realizada pelo Ministério da Saúde (MS) diretamente para os municípios, esteja sempre em dia. “Já aconteceu da entrega atrasar, mas logo esta foi regularizada e os pacientes não foram prejudicados”.


 

FONTE: A GAZETA
EDIÇÃO: ley Magalhaes