CFM debate competências digitais e humanização no painel sobre formação médica na era digital
28/11/2025 - 10:55
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Realizado ao longo desta quarta-feira (26), o 1º Fórum de Saúde Digital teve em sua programação o painel “A formação do médico na Era Digital”, presidido pela conselheira federal Dilza Ribeiro (AC). A atividade discutiu como preparar os futuros médicos para um ambiente de intensa transformação tecnológica, reforçando a importância da ética, da humanização e da qualificação crítica no uso de ferramentas digitais.
 
 
Na primeira conferência do bloco, o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Milton Arruda Martins, destacou que a formação médica precisa avaliar não apenas conhecimentos, mas também comportamento e resultados, especialmente diante das desigualdades regionais em acesso à tecnologia. Ele defendeu que a saúde digital pode reduzir essas assimetrias e ressaltou que a formação deve ocorrer na rede assistencial, “à beira do leito”, retomando princípios da Declaração de Edimburgo.
 
Martins afirmou que a IA não substituirá o professor, mas que o docente que souber utilizá-la criticamente, substituirá o que não dominar essas ferramentas. Citou as novas Diretrizes Curriculares, que já integram competências digitais, e alertou para riscos do aprendizado baseado apenas em resumos gerados por IA, que podem comprometer habilidades cognitivas. Para ele, o ensino deve estimular análise, criação e validação crítica do que é produzido por máquinas.
 
 
Na segunda palestra do painel, Paula Fuscaldo Calderon, conselheira de Ética e Conduta da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), destacou que a transformação digital (com IA, prontuários eletrônicos e telemedicina integrados ao cuidado) deixou de ser tendência e já molda diagnósticos, tratamentos e prevenção. Reforçou que a tecnologia deve ser vista como apoio ao médico, reduzindo erros e automatizando tarefas, desde que acompanhada de ética, transparência e combate a vieses.
 
Ela enfatizou que o médico deve manter o protagonismo nas decisões clínicas e que o letramento digital é indispensável para avaliar criticamente os algoritmos utilizados. Ao defender competências técnicas e humanísticas na formação, Paula Calderon reforçou a importância da empatia e lembrou que o docente precisa atuar como mediador entre o conhecimento clássico e o digital. “A tecnologia calcula; quem cuida é o médico”, resumiu.
 
 
Chao Lung Wen, chefe da disciplina de telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), afirmou que o maior desafio da telemedicina não é substituir a consulta presencial, mas preparar o país para o envelhecimento populacional com redes de cuidado eficientes e integradas. Para ele, inovar significa aprimorar o que já existe, reduzindo desperdícios, ampliando acesso e promovendo prevenção e cuidados contínuos.
O expositor defendeu o ensino obrigatório de telemedicina e telepropedêutica na graduação, além do domínio de dispositivos inteligentes e ferramentas com IA. Chao apresentou tendências como hospitais conectados, centros cirúrgicos inteligentes e tele home care avançado, e destacou que o “médico do futuro” será profundamente humano e inteligentemente digital.
 
 
Fechando os debates do painel, a diretora de Informação em Saúde da Cambridge Health Alliance e professora assistente da escola de Medicina de Harvard, Hanna Galvin, apresentou experiências norte-americanas de uso da IA em áreas como emergências, radiologia e comunicação com pacientes, mostrando avanços em eficiência, priorização de casos e melhora do tempo de interação direta entre médicos e pacientes. Ela citou ferramentas que sintetizam prontuários, identificam achados em imagens e auxiliam pacientes que não falam inglês.
 

Galvin reforçou que a adoção da IA exige avaliação contínua, validação científica e transparência para garantir segurança clínica. Destacou estudos que analisam o uso dessas tecnologias por residentes e defendeu que resultados sejam divulgados para orientar boas práticas. Para ela, a IA só será benéfica quando aplicada de forma ética, segura e centrada no paciente. 

FONTE: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-debate-competencias-digitais-e-humanizacao-no-painel-sobre-formacao-medica-na-era-digital
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