Painel debate saúde conectada, uso de avatar e inteligência artificial a serviço do paciente
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Uma das mesas de debate do I Fórum de Saúde Digital do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado na sede da autarquia nessa quarta-feira (26), em Brasília, tratou de integração, informação e Inteligência Artificial (IA) a serviço do paciente. Painelistas debateram sobre o uso de avatar na medicina, cirurgia robótica, tecnologias emergentes e os impactos na saúde.
O gerente de desenvolvimento de negócios na área da saúde na Amazon Web Services (AWS), Jacson Barros, trouxe exemplos de como melhorar a gestão hospitalar com base nos dados e conhecimentos. “A informação não resolve o problema, mas o conhecimento sobre o que há no ambiente orienta a ação. É necessário organizar a informação para tomar a iniciativa estratégica correta. É preciso implementar a cultura de dados. A inteligência artificial só funciona de maneira sustentável quando construída sobre uma base sólida de dados. Sem cultura analítica, a IA vira apenas demonstração, hype e risco para a organização”, disse.
Já a neurocirurgiã pediátrica e bolsista STR-X da Mayo Clinic, Giselle Coelho, falou sobre o uso de avatar na medicina, que possibilita o aprendizado de estudantes e residentes com um simulador físico, de um professor referência no assunto, por exemplo, a milhares de quilômetros de distância, de maneira online. “Acreditamos que a simulação de realidade mista pode contribuir para aprimorar a compreensão anatômica e as habilidades cirúrgicas, e deve ser aplicada para o melhor desempenho em um treinamento cirúrgico mais abrangente”, afirmou.
A especialista em gestão de qualidade de vida no trabalho pela FIA – Universidade de São Paulo (USP) Ana Claudia Pinto, por sua vez, ressaltou que é essencial que uma gestão integrada com sucesso trabalhe com dados confiáveis, seguros e organizados; com um modelo de negócio que valorize a evidência em detrimento aos resultados de curto prazo; liderança capacitada e disposta a agir guiada por dados; e uma arquitetura mínima de integração entre sistemas, papéis e incentivos. “É nisso que devemos nos basear”, resumiu.
O diretor-presidente do Centro Integrado de Medicina Avançada e médico Titular da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Eduardo Domene, explicou como funciona uma cirurgia robótica hoje e os benefícios que traz à humanidade. “Trata-se de um procedimento em que o médico pode estar a dois metros de um paciente ou a 20 mil quilômetros de distância. Chegamos ao ponto de total automação, por exemplo, em Harvard. Vimos o primeiro caso de um robô totalmente automático, treinado para aquilo (identificando tecidos, suturando e cortando)”, comentou.
Sobre IA, o executive partner da Gartner, empresa de pesquisa e assessoramento, Bruno Rebello, lembrou as pessoas têm de se capacitar para lidar com ela, até para não expor dados pessoais e informações sobre saúde. Ele sublinhou que o cuidado deve ser redobrado nas empresas. Rebello citou casos práticos de como as empresas podem integrar a inteligência artificial em suas rotinas, otimizando processos e melhorando resultados.